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Saiba como combater os danos que os caracóis causam ao jardim

Publicado em 13 de Jun de 2016 por Isadora Couto |COMENTE

Os caracóis fazem parte do ecossistema mas quando não controlados, podem prejudicar o jardim. Veja os cuidados necessários



Texto Daniel Keny | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock

Saiba como combater os danos que os caracóis causam ao jardim 

 

Os caracóis são moluscos e pertencem à classe dos gastrópodes. Do mesmo grupo dos caramujos e das lesmas, juntos somam cerca de 440 famílias diferentes. Comuns no Brasil, alimentam-se de verduras e frutos carnosos, em dias frescos chegam a consumir cerca de 40% de seu peso. Trocando em miúdos: esses moluscos adoram se alojar em nossos jardins, hortas e pomares e podem prejudicar a vegetação durante o verão e a primavera, quando o clima é mais úmido. Em meio a tantas famílias, uma das espécies mais impressionantes e também uma das mais inconvenientes ao jardim é o caracol-gigante-africano (Achatina fulica), que tem tamanho médio de 10 cm. O molusco apresenta uma concha em forma de cone, na cor marrom, com detalhes em tons claros.

Ele pode ser encontrado tanto no campo como em ambientes urbanos, multiplica-se com rapidez, devora plantas e pode transmitir doenças aos seres humanos. Como acontece com a maioria das pragas, a presença maciça de indivíduos e os danos à vegetação caracterizam a infestação de caracóis. Mas, mesmo em grande número, é difícil avistá-losde dia. "São animais com muita sensibilidade à luminosidade, portanto, só se abrigam em locais escuros, sob folhagens e objetos. Para identicar sua presença, preste atenção às trilhas de material brilhante por onde passaram, é uma viscosidade que ajuda sua locomoção, além, éclaro, das folhas com buracos arredondados no limbo foliar", ensina Fernando Legatti, paisagista e ambientalista da Dr. Jardim.

Segundo André Luis Fernandes, biólogo e entomologista urbano da Tecprag, não há como prevenir o aparecimento dos caracóis. "Em nossos jardins e áreas grandes de paisagismo nem notamos a presença desses discretos moluscos, o que é bom, pois eles cumprem o seu papel na natureza. Acredito que não temos como evitá-los, pois podem vir com outras matérias orgânicas usadas para adubação, ou em meio à terra junto a raízes de plantas e gramas." É importante reforçar que, antes de pensar na remoção dos caracóis e qualquer outro ser vivo do ecossistema que existe em seu jardim, deve haver equilíbrio. Em condições normais, esses moluscos ajudam na decomposição de matéria orgânica oriunda da vegetação. Quando morrem, sua de composiçãofornece minerais ao solo, principalmente cálcio.

MÃOS À OBRA

Se a população tornar-se grande demais a ponto de prejudicar o jardim, então teremos caracterizada a infestação. E os melhores métodos de combate ainda são os caseiros, a rmam os especialistas. "Faça a remoção mecânica. Retire-os das áreas de jardins com as mãos mesmo, mas use luvas e evite o contato como muco", aconselha Fernandes. "Podemos usar armadilhas feitas com pão embebido em leite ou cerveja, colocado em pequenas vasilhas, cobertas por uma caixa de papelão que mantenha a comida num local escuro. Assim, ao saírem à noite atraídos pelo cheiro da levedura, os caracóis  ficarão presos na caixa, pois não conseguirão partir após o dia nascer. Serão alvos fáceis de captura e destruição", ensina Legatti. Quando não há tempo ou disposição para a captura manual, o controle químico torna-se alternativa.

Geralmente são produtos apresentados em forma de pó ou granulados, que deverão ser colocados nos espaços escuros e úmidos e junto das plantas que estão sendo atacadas. Para evitar acidentes com animais de estimação e crianças pequenas, coloque o veneno em vasilhas cobertas e protegidas, deixando apenas pequenas frestas de acesso para os moluscos."O controle químico com moluscidas é recomendado quando a população desses animais é muito grande. A contraindicação a que me refiro é sobre a utilização desse tipo de método de controle em locais que não estejam realmente infestados por moluscos, uma vez que esses animais mais auxiliam do que prejudicam o jardim, exceto o caracol-gigante-africano", pontua Fernandes.

Todos são moluscos, a principal diferença entre os dois primeiros e a lesma é que possuem concha externa. Quando falamos caracol, fazemos referência ao molusco terrestre, o caramujo é aquático e as lesmas vivem naterra e no mar. Somando as famílias dos três, são cerca de 75 mil espécies diferentes. Tamanha diversidade prova opoder de adaptação dos gastrópodes: existem registros de fósseis de 500 milhões de anos atrás!O caracol terrestre mais famoso é o escargot, que setornou uma iguaria refinada e cara.

Já com alguns caramujos da família Planorbidae é preciso ter cuidado: são hospedeiros do verme responsável por transmitira esquistossomose. Cuidado também com o muco docaracol-gigante-africano, ele pode conter larvas do verme que causa angiostrongilía se meningoencefálica, doença que pode acarretar dores abdominais, febre prolongada, alterações no sistema nervoso, lesões oculares e, em casos mais raros, até ser fatal. A transmissão pode ocorrer pela ingestão de verduras e frutas mal-lavadas que contenham o muco do caracol com as larvas.

 

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